BICHINHO UNDÉ

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Terça-feira, 26 / 10 / 10

Esta noite

Foi muito importante para a minha vida. Encheu-me de esperança e tranquilidade.

publicado por Loja Reaproveitar às 16:27
Segunda-feira, 02 / 08 / 10

Juntos ultrapassaremos tudo!

Pensei e reflecti se me faria bem escrever sobre o que se está a passar comigo. Cheguei à conclusão de que o meu testemunho poderá ajudar alguma mamã na mesma situação de desamparo. E é bom poder desabafar.

Tenho crises de pânico e ansiedade há alguns anos. Há dois, uns meses antes de engravidar do Ricardo, deixei de tomar medicação porque tinha chegado ao fim o tratamento. Com psicoterapia, a gravidez foi correndo emocionalmente com os altos e baixos típicos. Contudo, sempre tive medo que algo acontecesse. E o que faria?

Há uma semana e dois dias, no dia de ir de férias, voltei a ter uma grave crise de pânico e ansiedade. Não dormi, o coração disparou, uma bola de fogo percorria o meu estômago, a cabeça a mil, pensamentos horríveis sobre morte e sobre este bebé, profunda solidão, angústia física e extrema, choro descontrolado, enfim. Quem tem, sabe do que falo. Apenas digo que em 33 anos de vida esta é a pior doença e a pior coisa por que já passei. E a experiência em lidar com crises de nada ajuda quando se está grávida. O tratamento são ansiolíticos fortes na crise, ansiolíticos mais normais depois e um tratamento de antidepressivo durante, pelo menos, 6 meses.

Falei com o meu obstetra ao telefone enquanto estava à porta das urgências - abençoado por ter-me atendido o telefone às 8 da manhã de um sábado - e disse-me que em caso de crise, poderiam dar-me um valium e depois para "tentar contrariar essa espiral de pensamentos, relaxar, etc"... Ora esta crise vem de um acumular de stress e angústia por motivos que não interessam aqui, mas que não posso controlar.

Naquele momento, eu só sabia que tinha de ir de férias e que tinha de ir a guiar e que todos tinham o direito de se divertir e que eu não podia pôr isso em causa. Organizar a viagem para os quatro também não foi fácil. Ainda por cima com o mais velho a decidir-se ir apenas nessa manhã...

No Algarve, parecia que tudo iria ficar bem. A casa era linda, linda, um terraço romântico sobre a ria onde noutros momentos eu pensaria em estar deitada com o meu amor a ver as estrelas, e naquele momento só me angustiava. A espiral de aflição voltou. Falei com o meu querido psiquiatra que me explicou que não era nada bom para o bebé o que eu estava a sentir, que nos momentos de stress fabricamos uma substância que é o cortisol que é muito prejudicial ao bebé, referindo que a ansiedade e o stress são alguns responsáveis por perdas de bebés no primeiro trimestre e que havia medicamentos seguros para tomar... mas que demorariam algum tempo a fazer efeito: a fluoxetina (um antidepressivo com efeitos anti-ansiedade) e o alprazolam 0.25 (dose mínima) - entre um a 2 em SOS. Dos dois, apenas o alprazolam não é completamente seguro... mas é aquele que acalma as crises, visto que o outro demoraria 15 dias a surtir efeito. E consegui-los? Com o meu médico a 400 km de distância?

Fugi de casa, desesperada, nessa madrugada, em busca de ajuda. Cheguei às urgências de Vila Real perto das 5 e 30 da manhã - já não dormia há quase 2 dias - tudo era horrível. Só via rapazes na estrada completamente embriagados. Nas urgências, a situação era semelhante, eu estava completamente fora de mim. Fui atendida por uma besta espanhola que se recusou a receitar-me o que quer que fosse, acusando-me de estar a fazer mal ao meu filho, abrindo-me a porta do consultório para que saísse, recusando prestar-me auxílio por estar grávida... porque se não estivesse, dar-me-ia uma "amarguinha" - que é assim que chamam ao medicamento - e lá ficaria a pastar até "me acalmar". Vou efectuar queixa deste médico.

Ainda mais desesperada, fui de carro, sozinha, para Faro, para o hospital. Aí o cenário não foi muito melhor, e a espera de horas. Também se recusaram a ajudar-me - outro espanhol - até que insisti e fiquei sentada no consultório e exigi ser atendida por um psiquiatra. Mais umas 3 horas de espera, transferência para o hospital psiquiátrico. Para quem não conhece esta realidade, é terrível. Guardo na minha imagem a cara de uma mãe com um filho quase adulto completamente apático, inerte, que sofria de esquizofrenia. A mãe sofria muito mais do que ele. Rezo para que esta mulher encontre a paz e a força que a ajude a encontrar uma luz.

A psiquiatra que me atendeu lá me deu os medicamentos e disse tudo o que o médico disse. Voltei para casa, mas não consegui sossegar por completo. Decidi, com a ajuda do meu amor, fazer tudo o que me apetecesse. Que no dia seguinte poderíamos voltar se quisesse, mas que deveria aproveitar para fazer tudo o que me apetecesse: ir à net, não dormir, ficar a dormir, fumar, ver TV de madrugada, ir passear sozinha, etc. Assim o fiz e acalmei-me um pouco. Tive dois dias calma. O que mais me acalmava era entrar dentro de água e deixar-me estar.

Agora, em casa, ainda tenho momentos muito difíceis. Aos poucos, tento "reconciliar-me" com este bebé, que já tem 9 semanas, tento comunicar com ele novamente, tento afastar a culpa de não ter conseguido superar esta situação e pedir que também ele me ajude a superar esta crise que há-de passar. Entretanto, reduzo novamente os cigarros que fumo. Mas desta vez, sem ser de um dia para o outro. Cada dia será uma batalha ganha. Cada dia farei tudo para me proteger e proteger este bebé. Neste momento, apenas tenho vontade de estar só com ele, de tentar transmitir-lhe uma sensação de paz ou tranquilidade, mesmo que por momentos. Mas tudo há-de melhorar. Já passei por situações muito difíceis e estive sozinha. Agora, contigo, juntos vamos ultrapassar tudo. Sem medos, sem receios e sem culpas.

publicado por Loja Reaproveitar às 09:48
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